Posts made in abril, 2014

Nota sobre a subsistência Comentários desativados em Nota sobre a subsistência

Nota sobre a subsistência

Posted by on abr 24, 2014 in Revista

O Nordeste é uma invenção, o Semiárido é uma irrupção. O problema chamado de “seca” não é outro senão o problema que o “natural” representa para o processo colonizador. Além disso, “seca” é o nome de um fenômeno político de dominação que vomita sua condição na culpa de Deus ou da Natureza. Por que será que as plantas do sertão lidam tão bem com a seca, guardam a água, tiram as roupas e voltam a vesti-la só na festa da chuva? E por que será que assim como os antigos tamoios, os sertanejos (os homens que a colonização largou aqui) também sabem lidar com a seca? Dá pra ver, desde os primeiros relatos imperiais de seca (séc. XVIII), que ela ameaça nem a natureza nem o sertanejo, mas a Colonização.     O Colonizador (Europa e Sudeste) fez de tudo pra que desistíssemos da subsistência. Diziam que subsistência é miséria: só o Lucro salva. O primeiro pseudônimo da Colonização foi Civilização. Depois, o apelido foi Progresso. Hoje o nickname da Colonização é Desenvolvimento. O semiárido foi, primeiro, sobrecolonizado: não servia senão pra dar carne ao engenho litorâneo que por sua vez servia pra dar açúcar à Metrópole. A segunda investida colonizadora foi a Revolução Verde e Produtivista da década de 70:...

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Sem luz no fim do aquecimento global Comentários desativados em Sem luz no fim do aquecimento global

Sem luz no fim do aquecimento global

Posted by on abr 2, 2014 in Mudança climática, Revista

O imobilismo dos governos frente ao aquecimento global, criticado até por alguém tão insuspeito de esquerdismo quanto o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, que dizia que as convenções internacionais sobre o tema soltavam mais carbono do que poupavam, pode ser considerado estranho por alguém que considere o problema sério, e a maioria dos líderes globais atores racionais. Afinal, o aquecimento global é um problema irreversível e capaz de trazer sérios danos para a humanidade, e isso não é mais, fora da política, algo tão controverso assim. Pode-se vislumbrar o quanto o aquecimento global antropogênico já passou de controvérsia científica a base de conhecimento aceita, mais do que pelos resultados dos painéis de investigação da ONU sobre o tema, pela preocupação que grupos arquiconservadores como as companhias de seguros demonstram. E no entanto os governos parecem continuar mais preocupados em assegurar suas próprias fontes de combustível fóssil do que em reduzir o uso global, ou em garantir que a redução global seja um fardo que caia antes nos outros do que em si. Mesmo quando, como é o caso da Rússia ou do Brasil, o espaço para redução das emissões de gases de efeito estufa (GHG) com pouco ou nenhum impacto na economia é imenso. Parêntesis: Digo danos à humanidade,...

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Contra a capitulação. Uma resposta a Safatle Comentários desativados em Contra a capitulação. Uma resposta a Safatle

Contra a capitulação. Uma resposta a Safatle

Posted by on abr 2, 2014 in Revista

  Para além dos cinismos, falsos arrependimentos ou até mesmo das reafirmações de fé  retrógradas, os editoriais dos jornalões nestes 50 anos de Golpe nos deixam um claro aviso: o jogo está sendo jogado. O primeiro sinal de disputa, e a princípio o mais evidente, é que todos eles escolheram o 31 de março – e não o verídico 1º de abril – como a data em que se consumou a quartelada. No dia da mentira, data em que efetivamente o nefasto regime sagrou-se vitorioso, o noticiário sobre o tema foi escasso. Esta tática, inclusive, atingiu o auge ao meio-dia de ontem no UOL. Neste horário, das 56 manchetes de toda a capa do portal, apenas uma possuía relação com a ditadura. E, mesmo assim, um breve relato factual sobre uma manifestação realizada por estudantes. O resto do noticiário era o velho uso da tergiversação enquanto apologia à desmemória. Eles sabem que o jogo está sendo jogado. Aliás, por mais paradoxal que possa parecer, até mesmo os que confessaram o “erro” no apoio à ditadura, como foi o caso d’O Globo, apelaram ao artifício do “contextualismo autoritário”, como bem definiu o historiador Sílvio Pedrosa: “O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e...

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