Posts made in outubro, 2014

A crise do antagonismo bloqueado: 2013, 2014 e além Comentários desativados em A crise do antagonismo bloqueado: 2013, 2014 e além

A crise do antagonismo bloqueado: 2013, 2014 e além

Posted by on out 28, 2014 in Revista

“A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem” Antonio Gramsci I. A onda conservadora como reação pemedebista. O resultado das eleições parlamentares que se descortinou na noite do domingo, dia 6 de outubro, caiu como uma bomba entre as esquerdas brasileiras – e talvez se possa dizer que ela é mesmo o resultado de diversas outras bombas jogadas sobre nossas cabeças ao longo dos últimos meses. Após a abertura das urnas ficou claro o refluxo conservador (chamado ‘onda conservadora’ em alguns diagnósticos) que emergia como resultado, implicando não apenas a ressureição do candidato preferencial do núcleo duro da direita brasileira, Aécio Neves (PSDB), mas ainda um congresso nitidamente refratário às demandas populares, com bancadas de orientações conservadoras em ascensão, a elevação do número de milionários (que dificilmente podem ser divisados como representantes da maioria do povo brasileiro) e o declínio de bancadas associadas aos trabalhadores, como a sindical, para ficarmos com alguns exemplos. As ‘análises’ pela esquerda foram rápidas (e quando isso acontece é prudente se perguntar se não se trata antes de mistificações pré-produzidas) em encontrar a raiz de todo o mal: as ‘jornadas de junho’, as manifestações multitudinárias...

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Os novos navios negreiros Comentários desativados em Os novos navios negreiros

Os novos navios negreiros

Posted by on out 11, 2014 in Revista

Como historiador e professor, sempre achei importante enfatizar a distinção entre trabalho assalariado e escravidão quando ouço ou leio pessoas tratando como a mesma coisa. Tipo “nada mudou com a Lei Áurea, a exploração continua a mesma!”. A isto, costumo responder: você faz ideia do que é a escravidão que existiu até 1888? Do que é uma pessoa ter seus filhos vendidos em leilões para quem pagar mais e você não poder sequer saber onde eles estão? Do que é uma pessoa viver trancada e acorrentada, do que é trabalhar sob a ameaça de armas, de troncos, chicotes e torturas como o pau-de-arara, usado na ditadura, mas cuja origem é escravista? Do que é seu patrão ter o direito legalmente garantido de fazer o que quiser com você (incluindo o estupro cotidiano, que era norma no Brasil), pois você não existe para o sistema jurídico a não ser como mercadoria? Enfim, sempre achei muito perigoso o apagamento dessas distinções na crítica ao trabalho assalariado. Por que perigoso? Porque a escravidão, tal como existia em 1888 pode sim voltar. Isso parece absurdo pra quem acredita que a humanidade está “evoluindo” para formas mais “civilizadas” de exploração, mas essa crença é que é absurda. Quer ver como este retorno de algo...

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