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A crise do trabalhismo e a direita rediviva Comentários desativados em A crise do trabalhismo e a direita rediviva

A crise do trabalhismo e a direita rediviva

Posted by on dez 20, 2014 in Revista

A bancada sindical, que colabora decisivamente na defesa dos interesses dos trabalhadores assalariados, será menor na próxima legislatura. Serão 46 deputados, número bem próximo ao de 1988, quando foram 44. Em 2002, ano da eleição de Lula, os sindicalistas foram 74. Caíram na eleição seguinte para 54, possivelmente sentindo o baque na imagem do PT após o mensalão. Em 2010 a bancada registrou seu maior número, 83 deputados.Pode-se atribuir isso ao propalado distanciamento do PT de suas bases. Também é possível afirmar que o partido mais identificado com o sindicalismo cometeu erros estratégicos, apostando em nomes errados na hora de construir seu quociente eleitoral. Porém, é preciso registrar que o PT vem perdendo força nas cidades operárias paulistas, seu conhecido reduto eleitoral. Somente em uma delas, Hortolândia (SP), o governador Geraldo Alckmin não teve a maioria dos votos pela sua reeleição no primeiro turno. Ao mesmo tempo, assistimos à ascensão da bancada conservadora. Nomes como Marco Feliciano, em São Paulo, e Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, aparecem como grandes puxadores de votos – este último acompanhado por seu filho, também deputado eleito, mas por São Paulo. Essa não parece ser uma tendência restrita a nomes específicos: a pauta conservadora, contra os direitos humanos, a favor da brutalidade policial,...

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A crise do antagonismo bloqueado: 2013, 2014 e além Comentários desativados em A crise do antagonismo bloqueado: 2013, 2014 e além

A crise do antagonismo bloqueado: 2013, 2014 e além

Posted by on out 28, 2014 in Revista

“A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem” Antonio Gramsci I. A onda conservadora como reação pemedebista. O resultado das eleições parlamentares que se descortinou na noite do domingo, dia 6 de outubro, caiu como uma bomba entre as esquerdas brasileiras – e talvez se possa dizer que ela é mesmo o resultado de diversas outras bombas jogadas sobre nossas cabeças ao longo dos últimos meses. Após a abertura das urnas ficou claro o refluxo conservador (chamado ‘onda conservadora’ em alguns diagnósticos) que emergia como resultado, implicando não apenas a ressureição do candidato preferencial do núcleo duro da direita brasileira, Aécio Neves (PSDB), mas ainda um congresso nitidamente refratário às demandas populares, com bancadas de orientações conservadoras em ascensão, a elevação do número de milionários (que dificilmente podem ser divisados como representantes da maioria do povo brasileiro) e o declínio de bancadas associadas aos trabalhadores, como a sindical, para ficarmos com alguns exemplos. As ‘análises’ pela esquerda foram rápidas (e quando isso acontece é prudente se perguntar se não se trata antes de mistificações pré-produzidas) em encontrar a raiz de todo o mal: as ‘jornadas de junho’, as manifestações multitudinárias...

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Os novos navios negreiros Comentários desativados em Os novos navios negreiros

Os novos navios negreiros

Posted by on out 11, 2014 in Revista

Como historiador e professor, sempre achei importante enfatizar a distinção entre trabalho assalariado e escravidão quando ouço ou leio pessoas tratando como a mesma coisa. Tipo “nada mudou com a Lei Áurea, a exploração continua a mesma!”. A isto, costumo responder: você faz ideia do que é a escravidão que existiu até 1888? Do que é uma pessoa ter seus filhos vendidos em leilões para quem pagar mais e você não poder sequer saber onde eles estão? Do que é uma pessoa viver trancada e acorrentada, do que é trabalhar sob a ameaça de armas, de troncos, chicotes e torturas como o pau-de-arara, usado na ditadura, mas cuja origem é escravista? Do que é seu patrão ter o direito legalmente garantido de fazer o que quiser com você (incluindo o estupro cotidiano, que era norma no Brasil), pois você não existe para o sistema jurídico a não ser como mercadoria? Enfim, sempre achei muito perigoso o apagamento dessas distinções na crítica ao trabalho assalariado. Por que perigoso? Porque a escravidão, tal como existia em 1888 pode sim voltar. Isso parece absurdo pra quem acredita que a humanidade está “evoluindo” para formas mais “civilizadas” de exploração, mas essa crença é que é absurda. Quer ver como este retorno de algo...

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Nota sobre a subsistência Comentários desativados em Nota sobre a subsistência

Nota sobre a subsistência

Posted by on abr 24, 2014 in Revista

O Nordeste é uma invenção, o Semiárido é uma irrupção. O problema chamado de “seca” não é outro senão o problema que o “natural” representa para o processo colonizador. Além disso, “seca” é o nome de um fenômeno político de dominação que vomita sua condição na culpa de Deus ou da Natureza. Por que será que as plantas do sertão lidam tão bem com a seca, guardam a água, tiram as roupas e voltam a vesti-la só na festa da chuva? E por que será que assim como os antigos tamoios, os sertanejos (os homens que a colonização largou aqui) também sabem lidar com a seca? Dá pra ver, desde os primeiros relatos imperiais de seca (séc. XVIII), que ela ameaça nem a natureza nem o sertanejo, mas a Colonização.     O Colonizador (Europa e Sudeste) fez de tudo pra que desistíssemos da subsistência. Diziam que subsistência é miséria: só o Lucro salva. O primeiro pseudônimo da Colonização foi Civilização. Depois, o apelido foi Progresso. Hoje o nickname da Colonização é Desenvolvimento. O semiárido foi, primeiro, sobrecolonizado: não servia senão pra dar carne ao engenho litorâneo que por sua vez servia pra dar açúcar à Metrópole. A segunda investida colonizadora foi a Revolução Verde e Produtivista da década de 70:...

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Sem luz no fim do aquecimento global Comentários desativados em Sem luz no fim do aquecimento global

Sem luz no fim do aquecimento global

Posted by on abr 2, 2014 in Mudança climática, Revista

O imobilismo dos governos frente ao aquecimento global, criticado até por alguém tão insuspeito de esquerdismo quanto o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, que dizia que as convenções internacionais sobre o tema soltavam mais carbono do que poupavam, pode ser considerado estranho por alguém que considere o problema sério, e a maioria dos líderes globais atores racionais. Afinal, o aquecimento global é um problema irreversível e capaz de trazer sérios danos para a humanidade, e isso não é mais, fora da política, algo tão controverso assim. Pode-se vislumbrar o quanto o aquecimento global antropogênico já passou de controvérsia científica a base de conhecimento aceita, mais do que pelos resultados dos painéis de investigação da ONU sobre o tema, pela preocupação que grupos arquiconservadores como as companhias de seguros demonstram. E no entanto os governos parecem continuar mais preocupados em assegurar suas próprias fontes de combustível fóssil do que em reduzir o uso global, ou em garantir que a redução global seja um fardo que caia antes nos outros do que em si. Mesmo quando, como é o caso da Rússia ou do Brasil, o espaço para redução das emissões de gases de efeito estufa (GHG) com pouco ou nenhum impacto na economia é imenso. Parêntesis: Digo danos à humanidade,...

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Contra a capitulação. Uma resposta a Safatle Comentários desativados em Contra a capitulação. Uma resposta a Safatle

Contra a capitulação. Uma resposta a Safatle

Posted by on abr 2, 2014 in Revista

  Para além dos cinismos, falsos arrependimentos ou até mesmo das reafirmações de fé  retrógradas, os editoriais dos jornalões nestes 50 anos de Golpe nos deixam um claro aviso: o jogo está sendo jogado. O primeiro sinal de disputa, e a princípio o mais evidente, é que todos eles escolheram o 31 de março – e não o verídico 1º de abril – como a data em que se consumou a quartelada. No dia da mentira, data em que efetivamente o nefasto regime sagrou-se vitorioso, o noticiário sobre o tema foi escasso. Esta tática, inclusive, atingiu o auge ao meio-dia de ontem no UOL. Neste horário, das 56 manchetes de toda a capa do portal, apenas uma possuía relação com a ditadura. E, mesmo assim, um breve relato factual sobre uma manifestação realizada por estudantes. O resto do noticiário era o velho uso da tergiversação enquanto apologia à desmemória. Eles sabem que o jogo está sendo jogado. Aliás, por mais paradoxal que possa parecer, até mesmo os que confessaram o “erro” no apoio à ditadura, como foi o caso d’O Globo, apelaram ao artifício do “contextualismo autoritário”, como bem definiu o historiador Sílvio Pedrosa: “O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e...

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